domingo, 14 de outubro de 2007

A Divisão Social do Trabalho na conjutura da solidariedade mecânica e da solidariedade orgânica

A relação entre os indivíduos e a coletividade pode ser explicada pela Divisão Social do Trabalho. Porém, tal crivo só tem força de argumentação ao se entender a conjuntura que cerca as bases conceituais da solidariedade orgânica e da solidariedade mecânica, estudas a finco por Durkheim. Foi ele que deu base de sustentação para tais tipologias, pois são seus argumentos que criam o arcabouço teórico para elas.

Conhecer a conjuntura destas tipologias se faz de suma importância, pois se retira daí o entendimento do funcionamento das sociedades anteriores a nossa e que influenciaram-nos. A divisão deste artigo tenta demonstrar esta conjuntura e fazer uma discussão de seus pontos críticos, podendo vir a concluir como defensor de uma das tipologias ou até mesmo de nenhuma.
A solidariedade mecânica é tida como uma solidariedade por semelhança, onde os indivíduos não se diferem. Estes se assemelham por serem possuidores dos mesmos sentimentos, os mesmo valores, tendo os mesmo objetivos reconhecidos com algo sagrado. A consciência coletiva age para que estes requisitos da solidariedade mecânica estejam coesas. Durkheim conceitua a consciência coletiva como sendo “o conjunto dos sentimentos comuns à média dos membros de uma sociedade”. Através desta, cada pormenor de uma sociedade é defino com precisão. Os detalhes relativos são impostos pela consciência coletiva.

Como esta tipologia atenta para a homogeneidade da sociedade, a Divisão Social do Trabalho pode ser vista pela ótica econômica, que argumenta ser esta a busca, através da racionalidade, do aumento da produção. A ótica econômica sustenta que há diferenciação social, já que, para a produção ocorrer de forma continua e com tarefas que exijam especialização, os indivíduos devem ser diferentes, possuir pensamentos diferentes, o que vai de encontro com as premissas da solidariedade mecânica.

Quando Durkheim caracteriza os tipos de solidariedade ele utiliza dois tipos de direito, pois a coercibilidade é exercida na sociedade através das leis, sendo eles o direito repressivo e o direito restitutivo. O primeiro é aquele que pune os crime ou faltas, que exerce a coerção nos atos que infligem a concepção da consciência coletiva, revelando esta na solidariedade mecânica. O direito restitutivo tem como essência à reposição em ordem as coisa quando uma falta é cometida, ou a organização da cooperação entre os indivíduos.

Podemos visualizar a solidariedade mecânica em sociedades antigas, onde o pensamento individual não se sobrepunha ao coletivo. Mas, não há impedimentos de ela esta presente em sociedades modernas ou até mesmo contemporâneas. Na solidariedade orgânica os indivíduos não se assemelham, são diferentes. Existe o coerente coletivo através do consenso. Durkheim compara a solidariedade orgânica com os órgãos dos indivíduos, que possuem uma diferenciação, mas agem em conjunto. E nessa tipologia que podemos encontrar uma heterogeneidade de idéia que formam uma única maior.

Onde há diferenciação dos indivíduos a liberdade de crer, de querer e agir conforme suas preferências, não sofrem coação do consciente coletivo. Este pode determinar até que ponto essas premissas podem ser consideradas benéficas para a sociedade. Mas, não as recrimina. O direito restitutivo é o responsável para as sanções necessárias para garantir a ordem. Nele a punição não fator preponderante, mas sim o restabelecimento do estados das coisas seguindo os ditames da justiça. Porém, o direito restitutivo não é a única forma de direito encontrada na sociedade onde predomina a tipologia orgânica. Soma-se a ela o direito cooperativo (como exemplo, temos o direito constitucional) que constitui “menos a expressão dos sentimentos comuns de uma coletividade do que a organização da coexistência regular e ordenada de indivíduos já diferenciados”. Nas sociedades modernas a relações são baseadas por meio de contratos. Esta não é a idéia de Durkheim. Para ele, numa sociedade com predominância da solidariedade orgânica não há a substituição da comunidade pelo contrato. A sociedade moderna se define à priori pela diferenciação social e não pelo contratualismo, que é uma conseqüência e manifestação. As tipologias de solidariedade são opostas. Essa oposição é combinada com a oposição entre sociedades segmentarias (aquelas em que há divisão especializada dos indivíduos) e aqueles onde a moderna Divisão Social do Trabalho está presente. Uma sociedade onde há predominância da solidariedade mecânica pode ser considerada uma sociedade segmentaria. Diz Durkheim que:“um segmento designa um grupo social onde os membros estão estreitamente integrados. Mas o segmento é também um grupo situado localmente, relativamente isolado dos demais, tendo vida própria.”

A solidariedade mecânica manifesta-se na sociedade segmentaria devido à ação da consciência coletiva, que torna esta uma sociedade em que suas partes possuem uma coesão de pensamento e ações. Noção este que diferencia a sociedade segmentaria da sociedade por semelhança. Esta última possuem os caracteres da solidariedade orgânica, devido à junção desta sociedade através do foco nos mesmos objetivos sociais.

A Divisão Social do Trabalho de Durkheim se diferencia daquela conceituada e estudada pelos economistas. Ele faz um estudo das tarefas e importância das instituições presentes numa sociedade e que influencia a maneira de agir, de pensar, de relacionamento dos indivíduos que compões uma sociedade qualquer. Por este mote, podemos entender o que ele pretender dizer ao afirma que: “o indivíduo nasce da sociedade, e não a sociedade nasce do indivíduo”.

A diferenciação racional da produção não é fator que explica a diferenciação social. Ela apenas pressupõe a diferenciação social através das tarefas que um indivíduo realiza na produção. Esta seqüência de tarefas demonstra que o indivíduo prevalece sobre a estrutura social. Mas, ocorre exatamente o contrário. Pelas explicações de Durkheim, ao analisar a estrutura das sociedades que são influenciadas pelas tipologias de solidariedade que ele estuda, é a estrutura social que prevalece sobre o indivíduo. Os fenômenos individuais se sobrepõem sobre o tipo social. Assim, torna-se importante conhecer a fundo as premissas da solidariedade mecânica e orgânica para termo um entendimento da Divisão Social do Trabalho de Durkheim. Sabermos que a diferenciação dos indivíduos é algo notório. Conhecermos a junção desta diferenciação através da consciência coletiva nos faz entender o papel que cada um possui na sociedade, seja individuo ou instituição. Podemos afirmar que conhecer como funciona a Divisão Social do Trabalho é de suma importância, pois através dela entendemos como a diferenciação social pode ser benéfica ou não de uma sociedade e como a coesão desta diferenciação pode ser alcançada através da consciência coletiva.

3 comentários:

Andre disse...

Mermão que texto longo. Você agora tá postando sobre sociologia? Ficou bonzinho o texto.

Abraço

Glauco Francisco Rodrigues Santos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Glauco Francisco Rodrigues Santos disse...

Pois é, tá longo mesmo... e tá mais ou menos arrumado. Quando eu passei do word para o blog sá dava pra ficar assim. E não se esqueça que administração é uma ciência social, portanto o texto tem tudo haver. Tá certo este não foi dos melhores. Abraço.